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JESUS RESSUSCITOU

Jesus Ressuscitado visita os seus Discípulos no "Sepulcro"


Quando percebemos a diferença entre Ressurreição de Jesus e Experiência Pascal dos Apóstolos, percebemos melhor o alcance da linguagem dos evangelhos, porque se torna claro que os evangelistas falaram da Ressurreição do Mestre à luz da sua própria Experiência dela. Esse caminho que o Espírito fez os discípulos de Jesus percorrer entre o Acontecimento Pascal e a Experiência Pascal durou três dias…

Três dias em que a vida dos discípulos esteve encerrada num sepulcro. Não físico… Um sepulcro daqueles do Coração, um sepulcro escuro por dentro, apertado em três paredes que eram a Tristeza, a Desilusão e o Medo. Um sepulcro com estas três paredes frias e escuras tapado por uma grande pedra que era a Morte de Jesus. Tirada esta pedra, seria possível saltar fora do sepulcro. Mas quem a poderia remover? Grande como era…

A morte de Jesus tinha-os mergulhado na mais profunda Tristeza. Ele tinha sido a pessoa mais fantástica que tinham conhecido. Por ele tinham abdicado de quase tudo, tinham corrido riscos e enfrentado dissabores. E morreu da pior maneira que pode morrer um Amigo e um Mestre…

A morte de Jesus tinha-os introduzido na maior Desilusão das suas vidas, porque acabar numa cruz era a certeza de que ele, afinal, não era o Messias que eles julgavam! Era apenas mais um mestre, um profeta… Especial, sem dúvida, mas não o Messias…

E além de tudo isto, a morte de Jesus tinha-os enchido de Medo pelas consequências que os discípulos teriam que enfrentar se fossem descobertos pelas autoridades judaicas!

Foi neste sepulcro de Tristeza, Desilusão e Medo que os discípulos viveram três dias, encerrados pela grande pedra da Morte de Jesus. Juntos no Sepulcro, conversavam sobre tudo o que tinha acontecido, meditavam em todas as palavras do mestre, recordavam os seus gestos, liam os seus sinais…
Este foi o contexto privilegiado para que Jesus Ressuscitado, pela inspiração interior do Espírito Santo, fizesse compreender ao Coração deles que a morte não tinha acabado com a sua Vida nem a sua Missão, mas antes a tinha transfigurado e plenificado.

A Vida e Missão de Jesus, agora Ressuscitado, continuavam pela acção do Espírito Santo e pela mediação dos seus discípulos!

Num ápice, compreenderam toda a Vida de Jesus de um jeito novo! Os últimos três anos de convivência com ele foram relidos e interpretados de maneira nova, à luz da sua Vida continuada para além da morte com o poder do Espírito Santo! Todas as suas parábolas, palavras, gestos, sinais e decisões ganharam um alcance novo, um alcance eterno e vitorioso sobre todas sãs coisas! “Depois da Ressurreição os discípulos lembraram-se das suas palavras e acreditaram nele!” (Jo 2, 22).

A Tristeza transformou-se em Júbilo, a Desilusão transformou-se em Exultação e o Medo deu lugar à Liberdade! Porque a Pedra do Sepulcro – que era a morte de Jesus – tinha sido removida! Compreenderam os discípulos que a morte de Jesus tinha sido a palavra máxima da sua fidelidade, mas que a palavra máxima da fidelidade de Deus ainda estava por dizer: foi a Ressurreição, a vitória sobre a morte!

A Experiência Pascal dos discípulos “ao terceiro dia” é uma experiência comunitária da presença de Cristo Vivo pela inspiração do Espírito Santo da qual brota a consciência da continuidade da sua Missão.




“Ao terceiro dia”, os discípulos saíram do Sepulcro porque nos seus Corações foi removida a Pedra tumular que lá os encerrava. A morte de Jesus tinha sido Páscoa-Passagem, e não fim!

“Ao terceiro dia”, vemo-los sem tristeza, nem desilusão nem medo! Anunciam a Ressurreição de Jesus com desassombro mesmo “debaixo das barbas” dos que o tinham mandado matar. Já não havia nada a temer, nem a chorar! O Evangelho da Vida tinha que ser anunciado. Eles sabiam que era o Evangelho da Vida, porque os tinha feito passar a eles próprios da morte à Vida, do Sepulcro à Liberdade! Jesus era o Senhor da Vida e o Dador da Vida pelo Espírito! Era urgente anunciar e testemunhar a Vida Vivificante de Jesus Ressuscitado!

Mas este anúncio não era da ordem das evidências. Anunciavam-no como uma Certeza, mas não o podiam impor como uma evidência. A única maneira de provar a Verdade do Evangelho da Vida era estar disposto a Viver e Morrer por ele até ao fim! E muitos tiveram um fim bem parecido com o do Mestre… Não há outra forma de provar a Verdade senão entregar-se por ela!

Mas, o que é que isso interessa?! A Pedra que encerrava todos os Sepulcros foi removida, a morte foi vencida! Eles já sabiam o que era estarem fechados no Sepulcro da Tristeza, da Desilusão e do Medo, encerrados sob o peso da Morte. Mas Jesus Ressuscitado tinha visitado o seu Sepulcro e tinha-os tirado de lá, Renascidos e Libertos na Vitalidade do Espírito da Vida.

Este era o Evangelho que tinha que ser anunciado: “ao terceiro dia”, tudo começara de novo!

Este é o Evangelho que tem que continuar a ser anunciado, na certeza de que o “terceiro dia” da nossa Vida acontece quando deixamos que Jesus Ressuscitado nos liberte dos nossos Sepulcros e se torne princípio de Vida Nova em nós pela acção inesgotável do seu Espírito.
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